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Uma chance de recomeço.



O Avaí tem nas mãos a chance de recomeçar um novo ciclo vencedor, ao estar demonstrando seriedade nas relações do clube com os parceiros comerciais e também com a torcida. 

Os desabafos desastrosos de Luiz Alberto, da LA Sports, e a consequente resposta do Avaí em apoio ao gerente de futebol do clube, Chico Lins, abrem uma perspectiva otimista a um panorama que era, até outrora muito recente, bastante pessimista. Se existia alguma dúvida, inclusive por mim reforçada, sobre a autonomia do Chico e consequemente do clube em relação aos parceiros, esta resta cessada até que algum fato novo lance sobre tudo isso uma nova nuvem de desconfiança.



Ontem, em conversa informal com o conselheiro Sardá Jr. pelo Twitter, pedi para que fosse averiguado o motivo do Coritiba oferecer Eltinho gratuitamente e com os salários pagos. Isso pode ser uma forma de compensação pela tal venda do Junior Urso, que renderia um bom valor em dinheiro ao Avaí. Fiquei com a promessa de que a situação seria conferida.

O presidente do Conselho, Alessandro Abreu, reafirmou ao final da noite a realização de nova reunião da comissão para reformulação do Estatuto. Inclusive com indicação da possibilidade de eleições diretas. 


Por fim, uma iniciativa que chamou a atenção foi o PAPO COM ÍDOLO, em que ídolos do clube palestram aos atletas da categoria de base. Uma iniciativa que é de uma ideia brilhante, ao identificar os garotos com grandes nomes que fizeram história no Avaí, mostrando-os os valor da camisa. Muito bom.



Afora a imagem de esculhambação que o episódio com a LA Sports trouxe esta semana, além das derrotas que agem como um véu negro sobre o bom humor, é possível ver boas movimentação por parte do Avaí e de sua Diretoria. Basta ter um pouco de boa vontade. Muita união será necessária até o acesso à Série A ser novamente uma realidade. 

A importância de ser soberano.


"O Luiz Alberto é um grande parceiro do Avaí, pode agregar muitas coisas boas para o clube, mas para as coisas boas, ou para as coisas ruins, eu sou o responsável pelo departamento de futebol" Chico Lins
É com essa declaração, dada pelo gerente de futebol do Avaí quando da contratação de um novo técnico - à época, às vésperas de contratar Pingo - que se explica parte da situação atual. Na noite de ontem, o empresário da LA Sports reclamou de um suposto boicote de Chico Lins aos seus atletas. Tentou pressionar o Diretor ao jogar para a torcida. Apelou para a idiotice de clamar por verdadeiros avaianos - o discurso de todo idiota. Mais: nem deixou esfriar o sabor da vitória.

O panorama da situação reclamada por Luiz Alberto parece ser o seguinte. O Avaí definiu que terá no máximo 4 atletas de cada empresário no clube. A LA Sports quer que o clube contrate Jonas e Eltinho. Só que já possui  3 jogadores no atual plantel - Roberto, Paulo Sérgio e Pará. Ou seja, estouraria a cota prevista para a empresa.

Eltinho foi oferecido gratuitamente, com todos os salários pagos. Uma notícia que se espalhou rapidamente pelo Twitter é de que Júnior Urso foi negociado e o Avaí teria direito a R$800 mil do valor da transação. Claramente o Avaí, na figura do Chico Lins, faz jogo duro para ter o dinheiro e o lateral Jonas, o que seria muito melhor para o clube na situação financeira enfrentada agora.

A dedução que se tira é bastante lógica. O empresário deve querer empurrar ambos os laterais e deixar a ver a compensação financeira pela transação do Júnior Urso. Recorrendo a táticas baixas e esquecendo-se de que o Avaí é soberano. Ninguém deve dar represálias, muito menos públicas, a qualquer funcionário do clube. Se a Diretoria decidir por defenestrar de vez a LA Sports, acerta em cheio. 

Vou simplesmente acreditar.

Desde que o Avaí firmou contrato com a LA Sports e outras empresas de agenciamento de jogadores, estabelecendo uma nova parceria, tenho convicção - essa palavrinha tão utilizada pelos treinadores trazidos pelas mãos de Luis Alberto - de que teremos pelo menos dois bons anos pela frente. Mesmo que o Catarinense esteja sendo um desastre. À forcéps, teremos um bom time já para esse ano e talvez até para o próximo. Após isso, que segure as calças quem não quiser ficar pelado.

O valor de R$1,3 milhão investido pelos parceiros do clube, dos quais R$500 mil são da LA e Brazil Soccer (Uram) e R$300 mil da Plus Sports, é um sinal de que o cenário é sério e que as coisas em campo terão que andar muito bem. Só assim os jogadores envolvidos no negócio poderão valorizar. Portanto, todos os envolvidos farão um esforço muito grande para obter o máximo retorno financeiro e assim lucrar o máximo possível. Se não o fizerem, estarão perdendo dinheiro. O que significa que o torcedor pode acreditar: o Avaí deve montar um bom time para a Série B, mesmo que não pelas próprias mãos.

Muita convicção será ouvida saindo da boca do treinador para justificar algumas escolhas que não façam sentido sob uma análise puramente futebolística, de qualidade dentro das quatro linhas. Desde que os resultados venham, claro. Diferente da gestão predominante no Avaí Futebol Clube nos últimos 12 anos, empresários bem sucedidos não rasgam dinheiro. E não deixam que o clube administre sozinho a questão, pois querem garantir o retorno de cada investimento feito. Muita interferência acontecerá ainda, seja na escalação ou no dia-a-dia.

O que nos leva a uma lembrança boa e outra ruim: em 2007, Luis Alberto salvou o Avaí do rebaixamento. Em 2008, enxertou o elenco nas posições necessárias. Subimos. Em 2009, manteve os melhores e fez um time de destaque nacional. Aí, então, com a máxima valorização que conseguiria, vendeu tudo o que pôde. Faz todo o sentido do ponto de vista empresarial, mas a Diretoria precisa se preparar para este cenário. Por exemplo, pode cair no colo dela a tarefa de montar o time depois de um possível sucesso e consequente desmanche de elenco. O clube, dentro dos termos do contrato, deve preparar-se para caminhar com as próprias pernas caso o custo - e consequentemente o retorno - de montar de um elenco para Série A seja muito alto e portanto não muito atrativo aos empresários.

Portanto, torcedor avaiano, nos próximos 2 ou 3 anos, aproveite. Deve haver gente muito interessada e se esforçando no sucesso do time por esse período. Só não esqueça de cobrar muito a responsabilidade necessária dos dirigentes. Para que o Avaí não vire uma Tombense e também simplesmente não repita os fracassos retumbantes da última década e deste campeonato catarinense. Até lá, muitas alegrias hão de vir. Sabe-se lá a que custo. 

Ouçam a arquibancada.

Tem coisas que é impossível todos na arquibancada estarem vendo, menos o treinador e o Departamento de futebol.

Eduardo Neto e Bruno Maia não vingaram. Roberto marcando lateral adversário é pegar dinheiro e jogar no lixo. Paulo Sérgio fazendo pivô em cima de zagueiro de 2 metros é piada.

Diego Jardel foi banco um tempão e agora está mostrando o bom futebol que tem, mas precisa treinar melhor a condução com o pé direito. Não é solução nenhuma, mas está mostrando que merecia mais chances.

Diego falhou em metade dos gols que tomamos.

Para completar, temos um time sem preparo físico adequado, que chega se arrastando ao final dos jogos e que ainda corre errado, por estar mal posicionado.

O Avaí se complica em coisas simples e ainda joga a culpa em quem pode ser solução, como Marquinhos. Parece que desviar a culpa pela falta de planejamento virou a tônica dos últimos anos.

Temos um bom elenco, mas ficamos tropeçando nas próprias pernas por coisas pequenas. Há tempo para colocar a locomotiva avaiana nos trilhos. O hexagonal é uma boa oportunidade para preparar uma boa largada na Série B. O Avaí continuará tropeçando nos próprios pés por mais um ano?

Duvido. Quero ver, Turra.

Se algo me incomoda desde o ano passado é a passividade do Avaí quando não tem a posse da bola. O que não chega a ser um problema muito grande quando se domina o jogo a maior parte do tempo, mas encoraja os adversários a chegar na nossa meta. Na linguagem da velha crônica esportiva, o Avaí é um time que joga e deixa jogar. Não deve ser mais.

Paulo Turra, aquele que não teve influência nenhuma na vitória no clássico, está tentando impôr uma filosofia de jogo diferente. O time agora tem que jogar e encurtar os espaços do adversário, com todos os 11 exercendo um papel de marcação. 

Na teoria, é lindo. Na prática, dificílimo. Contra o Brusque, o Avaí perdeu no fôlego. Chegou ao final do segundo tempo se arrastando. Para jogar como o novo comandante quer, precisaria ter um dos melhores preparos físicos do Brasil. Como diz Guardiola, o melhor do mundo: 
- Nós corremos muito. Este é o primeiro passo. Só então podemos jogar bem.
Mas há alternativas para a falta de preparo físico. Uma delas foi marcante para o futebol mundial e especialmente para mim. Jamais esqueci. Em 2010, o Uruguai foi longe na Copa do Mundo com uma estratégia de jogo absolutamente espetacular: os ataques em onda

Não lembro ao certo em que jogo foi, nem se era uma estratégia do time durante toda a copa, mas no jogo em que assisti funcionou de maneira soberba. O técnico Oscar Tabárez, sabendo das dificuldades físicas do elenco, optou por fazer o time inteiro avançar, encurtar os espaços e não dar alívio ao adversário regularmente, a cada 20-25 minutos. Durante o tempo "de descanso", os uruguaios se fechavam no campo de defesa, precisando correr menos, evidentemente. Não era o simples "só sair na boa", era muito diferente. 

É a única maneira que o Avaí teria, hoje, para adotar um futebol total como o pretendido por Paulo Turra. Duvido muito que consiga. 



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